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O negócio

O faturamento cresceu e a conta não fecha

· 3 min de leitura

O mês foi o melhor do ano em faturamento e mesmo assim você chegou no dia 28 esticando pagamento. Isso não é azar nem erro de conta. Faturamento e margem são números diferentes, e crescer sem olhar o segundo é o jeito mais comum de trabalhar muito e ganhar pouco.

Faturar não é ganhar

Faturamento é o que entra. Margem é o que sobra depois de pagar para entregar. Você vive da segunda, mas comemora a primeira, porque a primeira é a que aparece na maquininha.

Exemplo redondo. Ano passado: 100 atendimentos, R$ 200 cada, R$ 20.000 de faturamento, custo de R$ 100 por atendimento, sobra R$ 10.000. Este ano: 150 atendimentos, mas metade foi por indicação com 20% de desconto e você contratou um ajudante. Faturamento de R$ 28.500, custo por atendimento subiu para R$ 130, mais R$ 2.500 de salário. Sobrou R$ 8.750.

Faturou 42% a mais e ganhou menos. Nada aqui foi burrice, foi só a conta que ninguém refez depois que as coisas mudaram.

Causa 1: o mix mudou e você não percebeu

Você vende vários serviços com margens diferentes, e o crescimento veio todo do serviço ruim. O barato de entrada, o promocional, o que dá trabalho e paga pouco.

Como conferir: separe seu faturamento do mês por tipo de serviço. Não pelo preço, pelo quanto sobra de cada um. Provavelmente um ou dois serviços carregam o negócio e um deles está consumindo a sua agenda.

O ajuste raramente é cortar o serviço ruim. É parar de empurrar ele: tira da vitrine, tira do primeiro lugar do cardápio, para de oferecer por padrão. Quem quiser, pede.

Causa 2: o custo subiu e o preço ficou

Produto, insumo, aluguel, energia e comissão sobem sozinhos. Preço só sobe quando você decide. Passa um ano, dois, e a margem que era 40% virou 25% sem nenhuma decisão ter sido tomada.

Como conferir: pegue os três principais custos do seu serviço mais vendido e compare com o que você pagava um ano atrás. Compare com o seu preço de um ano atrás. Quando o custo subiu 20% e o preço subiu 5%, achou.

Causa 3: cresceu a estrutura, não a operação

Entrou mais gente, entrou sistema, entrou sala maior, entrou anúncio fixo. Cada item defensável sozinho. Somados, criaram um custo fixo que exige um faturamento bem maior que o de antes só para empatar.

Como conferir: some tudo que você paga todo mês independente de vender (aluguel, salário, assinatura, contador, internet, anúncio fixo). Divida pela sua margem por atendimento. O resultado é quantos atendimentos por mês você faz só para pagar a estrutura, antes de ganhar um real.

Exemplo: R$ 6.000 de fixo, margem de R$ 80 por atendimento, são 75 atendimentos só para empatar. Muita gente descobre nessa hora que trabalha as três primeiras semanas do mês para o aluguel.

O que fazer com o que você achou

Na maioria dos casos, a correção mais rápida não é cortar custo, é mexer no preço do que já vende bem. Cortar 10% do custo fixo é um projeto de meses e cheio de atrito. Subir 10% no preço do seu serviço principal é uma decisão de uma tarde, e vai direto para a margem.

Quando existe medo de perder cliente, suba só nos clientes novos, mantendo os antigos por 90 dias. Você descobre a reação real do mercado sem quebrar o relacionamento de quem já está ali.

O hábito que evita a repetição

Uma vez por trimestre, meia hora, três linhas num papel: faturamento do período, custo total do período, quanto sobrou. Compare com o trimestre anterior.

Não é contabilidade, é para uso próprio. O objetivo único é perceber a margem escorregando enquanto ela ainda é um problema pequeno, e não no dia em que a conta não fecha.

Quer anunciar sem passar por isso?

O Otto é um gestor de tráfego que atende pelo WhatsApp. Você diz o que quer anunciar e a campanha nasce na conta da sua empresa, pausada, esperando a sua aprovação.

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