Medir, decidir e enxergar de onde vem o resultado.
Três números que todo negócio deve saber
Dono de negócio pequeno não precisa de painel. Precisa de três números na cabeça, atualizados de vez em quando, porque quase toda decisão difícil da semana se resolve com eles. Vou pelos três, com a conta de cada um.
Número 1: ticket médio
Quanto entra, em média, por atendimento. Some tudo que faturou no mês e divida pelo número de atendimentos.
Exemplo: R$ 24.000 de faturamento, 120 atendimentos, ticket médio de R$ 200.
Para que serve na prática: é o número que diz se vale a pena brigar por volume ou por valor. Quando seu ticket é R$ 200 e você quer faturar R$ 6.000 a mais, são 30 atendimentos novos. Quando você consegue subir o ticket para R$ 250 nos clientes que já tem, os mesmos 120 atendimentos entregam esses R$ 6.000 sem uma pessoa nova entrando pela porta.
Quase sempre a segunda opção é mais fácil, e quase sempre é a menos tentada.
Número 2: frequência de retorno
De quanto em quanto tempo o mesmo cliente volta. Pegue 20 clientes que já vieram mais de uma vez e olhe o intervalo entre as visitas. A média grosseira já serve.
Exemplo: 50 dias entre visitas. Isso significa que um cliente ativo aparece umas 7 vezes por ano.
Para que serve: é o gatilho de tudo que você faz com a base. Quem passou de 75 dias sem aparecer, no exemplo acima, está escorregando e ainda dá para chamar de volta. Quem passou de seis meses provavelmente já foi para outro lugar. Sem esse número você não sabe quando alguém sumiu, e quem não sabe isso não reativa ninguém.
Multiplicando ticket por frequência por quantos anos o cliente costuma ficar, você chega ao valor de um cliente. R$ 200 x 7 visitas x 2 anos = R$ 2.800. Esse é o número que muda como você trata a pessoa na cadeira.
Número 3: custo por cliente novo
Quanto você gastou no mês para atrair gente, dividido por quantos clientes novos entraram. Conte anúncio, impulsionamento, panfleto, comissão de indicação, brinde de captação. Não conte aluguel nem salário de quem atende.
Exemplo: R$ 1.200 gastos, 15 clientes novos, R$ 80 por cliente.
Para que serve: comparado com o valor do cliente do número 2, esse é o único veredito honesto sobre divulgação. R$ 80 para conquistar alguém que vale R$ 2.800 é barato. R$ 80 para conquistar alguém que gasta R$ 90 e nunca mais volta é prejuízo com aparência de venda.
Como levantar isso sem sistema
Não precisa de software. Precisa de três perguntas anotadas em qualquer lugar:
- Quanto o cliente pagou hoje.
- É a primeira vez dele, ou não.
- Quando é a primeira vez: como ele te achou.
Um caderno na recepção com essas três colunas, preenchido por 60 dias, produz os três números. Depois disso você pode automatizar, mas a versão manual já resolve a parte que importa, que é ter algum número em vez de nenhum.
O que você ganha por saber
A diferença prática não é ter o número. É parar de decidir por sensação.
Sem os três, "o mês foi fraco" vira desconto geral, pânico e post no Instagram às onze da noite. Com os três, você olha e vê que o ticket caiu porque vendeu mais serviço barato, ou que o retorno caiu porque ninguém chamou os clientes de volta, ou que entrou menos gente porque você parou de anunciar em maio.
Cada uma dessas três causas pede uma ação completamente diferente. Sem número, você chuta uma das três e tem uma chance em três de acertar.
Um aviso sobre medir demais
Depois de pegar gosto, a tentação é medir tudo: taxa de ocupação por hora, serviço mais lucrativo, desempenho por dia da semana. Nada disso é errado, mas nada disso é urgente.
Quando você tem os três de cima e não está usando eles para mudar nada, o quarto número não vai ajudar. Indicador só vale quando vira decisão.
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